Imprensa

40 Anos FNA - Entrevista

2017-07-18

A Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde é organizada em parceria pela Câmara Municipal e pela Associação para Defesa do Artesanato e Património, criada poucos anos depois da 1ª realização do certame. António Saraiva Dias, presidente da Associação, explica a relação da FNA com as Rendas de Bilros e desvenda algumas das iniciativas preparadas para a 40ª edição.

 

- A Feira Nacional de Artesanato comemora, este ano, a sua 40º edição. Quais os destaques?

- Ao atingir as quatros décadas de realizações, a FNA volta a centrar atenções nas Rendas de Bilros, secular tradição de Vila do Conde e que, de resto, esteve na origem da criação do evento.

Mas haverá muito outros motivos de interesse! Este ano, a Feira Nacional de Artesanato recebe o Ceará como convidado especial e aquele Estado Brasileiro estará representado em Vila do Conde não só pelo artesanato, mas também pela gastronomia e pela música.

Inspirado no livro-reportagem «Mãos que fazem História», o Ceará vai apresentar os produtos que nascem das mãos das mulheres artesãs cearenses, em diferentes tipologias: Barro, Rendas, Linhas, Fibras, Tecidos, Miscelânea, Indígena e Redes. A gastronomia do Ceará estará representada, no primeiro fim-de-semana do evento, pela mão do Chef Vicente Neto, brasileiro a residir em Portugal há cerca de 10 anos, e responsável pela cozinha do Cantinho do Avillez, em Lisboa.

E, para completar a participação brasileira, só falta mesmo a animação musical que, no dia 22 julho, pelas 21h30, apresenta Luso Baião uma banda de fusão de influências entre brasileiros e portugueses.

Para além destas iniciativas, a FNA aposta em continuar a ser o palco privilegiado para os artesãos de todo o País que trazem a Vila do Conde o melhor das artes tradicionais portuguesas.    

 

- As Rendas de Bilros são, sem dúvida, a mais expressiva arte tradicional de Vila do Conde. Qual a sua relação com a génese da Feira de Artesanato?

- No início da década de 70, a atividade atravessava uma crise profunda, em parte devido à mudança de hábitos, primeiro no vestuário e depois no lar, mas também pelo encerramento das casas que comercializavam estas preciosas obras de arte. Era uma situação que importava inverter a todo o custo, uma vez que a tradição secular das rendas de bilros em Vila do Conde a isso obrigava. Foi com o objetivo de reabilitar a produção e incentivar a comercialização das rendas que, em 1978, surgiu a 1ª FNA. Começou de forma tímida, mas depressa se afirmou no panorama nacional porque veio dar resposta a uma ansiedade sentida por todo o País.    

 

- Atualmente, o certame é considerado o melhor do País. A que se deve esta distinção?

- Esse é um elogio que muito honra a organização da FNA e que foi despoletado pela conjugação de diversos fatores: pelo número e qualidade dos artesãos aqui presentes, pela dinâmica imposta ao evento ano após ano, e também pela atenção que a comunicação social dedica à FNA. Julgo ser um elogio justo e a comprová-lo basta recolher as opiniões dos artesãos que se deslocam até Vila do Conde para participar nesta grande festa do artesanato português ou avaliar o número de visitantes que todos os anos acorrem a este evento.

 

- Ao longo dos anos, a Feira de Artesanato foi criando eventos paralelos, como exposições, concursos, dias temáticos… É a aposta numa maior diversidade cultural?

- Sempre foi nossa intenção apostar na divulgação e promoção do artesanato nacional, mas rapidamente constatamos que as tradições do nosso País não se esgotam aqui. A gastronomia e a música são exemplos da conjugação dessas tradições que a organização da FNA conseguiu efetivar. Mas o desejo de envolver a comunidade e os visitantes levou, de igual modo, ao aparecimento do Concurso Fotográfico ou do Dia da Rendilheira, por exemplo… São importantes contributos para a constante animação que se vive durante os 16 dias de duração do certame.    

 

- Ao completar quatro décadas de realizações, estão cumpridos os objetivos da FNA?

- A FNA está devidamente consolidada há vários anos, o que se confirma pela adesão do público ou pelo número de artesãos interessados no certame, o que significa o prestígio desta realização e a vitalidade que o sector atravessa. É com orgulho que constatamos que o artesanato tem hoje uma muito maior visibilidade e projeção no mercado nacional. A FNA contribuiu para a preservação das tradições culturais e, só por isso, já estamos satisfeitos com o percurso realizado. Mas não pretendemos ficar por aqui. A organização deste evento sempre foi ambiciosa e criativa. Por certo, no futuro, novos caminhos iremos trilhar. Todos juntos.