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Criatividade e diversidade no artesanato do Ceará

2017-08-05
"A originalidade e criatividade do povo cearense fazem com que as artes e a cultura cearense sejam conhecidos e admirados em todo o Brasil e também no estrangeiro. 
 
  Quem visita o Ceará não consegue resistir ao apelo das compras de produtos artesanais e da animada vida artístico-cultural cearense.
 
  A imagem do Ceará está sempre ligada à figura da mulher rendeira. A renda, também conhecida como renda-de-bilro ou renda da terra, é uma atividade exercida por mulheres nas comunidades interioranas e sua produção está distribuída principalmente na faixa litorânea. 
 
O labirinto foi introduzido no Brasil pelo povoador português. É encontrado nas praias cearenses, praticado por mulheres de jangadeiros, especialmente nos municípios de Aracati, Beberibe, Cascavel e Fortaleza.
 
  O artesanato de cestaria e do trançado no Ceará é dominado pelo emprego da palha de carnaúba, do bambu e do cipó para a confecção dos mais diversos objetos, tais como: chapéus, bolsas, cestas, etc. Os núcleos produtores mais destacados estão nos municípios de Sobral, Russas, Limoeiro do Norte, Jaguaruana, Aracati, Massapê, Cratéus, Baturité e Camocim. 
 
  A cerâmica cearense, de influência portuguesa, indígena e africana, se presta para fins utilitário, decorativo e lúdico. Além de Fortaleza, os centros mais representativos são Cascavel, Ipu e Juazeiro do Norte. 
 
  O Ceará possui uma antiga tradição de artigos artesanais feitos em couro. A significativa participação da pecuária e da exportação de couros da nossa economia explica a rica variedade de peças artesanais produzidas com este material. Os principais núcleos produtores são: Fortaleza e Juazeiro do Norte. O artesanato têxtil do Estado tem como principal característica a produção de redes maciçamente localizada nos municípios de Fortaleza e Jaguaruana. 
 
  O artesanato de metal abrange diferentes ramos, tais como: latoaria, ferraria, serralharia e cutelaria. 
 
  No artesanato de madeira, o Ceará destaca-se na fabricação de móveis de todos os tipos. Em Fortaleza, Canindé, Cascavel e Juazeiro do Norte é bastante difundida a pequena indústria do mobiliário. Em Barbalha, existe o artesanato ligado à maquinaria de engenhos de cana. Os escultores e talhadores em madeira estão concentrados, em grande parte, na capital cearense. 
 
  No artesanato de artes gráficas, a mais importante contribuição artística do Estado do Ceará é a xilogravura para ilustração de capas de folhetos de cordel. A religião no Ceará tem profundas ligações com o artesanato e os imaginárias são prova concreta da paixão do povo por suas crenças e seus santos, retratados pelas imagens de santos e ex-votos. Dois centros destacam-se como locais de veneração místico-religiosa: Juazeiro do Norte e Canindé.
 
  Artesanato - O índigena, que o colonizador encontrou, já era artesão do tecido e da cerâmica sedimentar. Com a casca da aroeira tingia de vermelho os fios de algodão e as fibras de outros vegetais, e do azul que extraia de outras plantas do mato. Produzia sandálias de corda de caroá (ou croatá). Os Jesuítas, ao chegarem para proceder a evangelização da indiada, ante a habilidade manual e pendor artístico mostrados pelos nativos, sistematizaram o artesanato existente, somando-o ao da gente portuguesa, ensinando-lhe as técnicas de pintura, escultura, douração, relojoaria, ouriversaria, carpintaria, marcenaria, tecelagem, fundição etc. Com a expulsão dos jesuítas por Pombal, os índios e a descendência mameluca já haviam incorporado a sua cultura a vocação artesanal, transmitida as gerações que iam chegando. E permanecendo até hoje. E de tal forma interessante - até encantadora - que essa produção artesanal, apesar da introdução do maquinário moderno e a tecnologia em curso, permanece viva, elaborando peças que continuam sendo disputadas pelos que aqui chegam. 
 
  As Rendeiras - Foi em 1748 que a Europa recebeu as primeiras rendas do Ceará. Logo tidas como de excepcional qualidade artística. Há dois séculos, portanto, que foi detectado o "natural engenho" de nossas rendeiras. Vale ir ver in loco o trabalho dessas artistas. O equipamento que elas usam é simplissímo. Um almofadão, no qual fica pregado um cartão furado do desenho da renda que se pretende fazer, alfinetes do espinho do mandacaru, para prender a renda, e os bilros de madeira, mais três caroços de macaúba onde são enrolados os fios. Vale acrescentar que a renda difere do bordado por não ter um fundo de tecido preparado, como o bordado, que é ornamentado com fios inseridos por meio de agulhas. (Aquiráz, Acarau, Trairi, são os municípios de maior concentração das chamadas mulher-rendeira). O labirinto consiste em desfiar um pano e recompô-lo em desenhos, que podem ser "paleitão", "caseio", "enchimento", "bainha" e "desfio", trabalhos delicadíssimos, que exigem enorme esforço visual e muita habilidade artística. Aracati, Beberibe e Cascavel são, entre os litorâneos perto da Capital, os municípios que mais os produzem. Redes-do-Ceará - A rede de dormir era feita pelos indígenas, da fibra do tucum. Os colonos a incorporaram ao hábito e passaram a faze-la tecida de algodão. Ainda hoje é produto "made in Ceará", exportada pelo mundo inteiro e que o turista disputa e compra. Jaguaruana e Fortaleza concentram o maior número de fábricas de redes e ainda há artesãs que a fazem manualmente, com teares primitivos, em que pese a concorrência obviamente abrangente, das tecidas industrialmente".
 
Fonte: www.ceara.com.br