| | Tem sido uma constante a presença de São Tomé e Príncipe em Múltiplas manifestações de índole cultural que se realizam em Portugal o que é, a nosso ver, um sinal demonstrativo dos cordiais laços que unem esses dois Países da lusofonia. A História encarregou-se de provocar o encontro dos nossos povos ao longo de séculos e os actuais actores da nossa vida cultural, social, politica e económica têm sabido pavimentar o prosseguimento desse convívio num patamar de dignidade, de cooperação e amizade exemplar. Não é sem razões de monta que a principal ponte que liga São Tomé e Príncipe á Europa é o solo português através das duas companhias aéreas que, bissemanalmente, põem em contacto esses pontos geográficos. A realidade das trocas comerciais desperta-nos, também, para a vitalidade das relações entre os dois países, sendo Portugal responsável por 60% do consumo de São Tomé e Príncipe, por um lado e, por outro, o principal destino dos seus produtos de exportação. Quis a Câmara de Vila do Conde, nesta edição da feira Nacional de Artesanato, distinguir, São Tomé e Príncipe com a sua presença no certame, facto que, conferindo-nos honra, motiva-me a endereçar um renovado agradecimento pela oportunidade que a nós é concebida de darmos a conhecer alguns extractos do que se vem fazendo em São Tomé e Príncipe no ramo do artesanato. O entrosamento com outros povos tem exercido diversas influências no quotidiano sãotomense, e a diversidade e experiências de outras culturas e povos tem deixado a sua marca também no nosso artesanato. Tem sido rica a troca de experiências e o aprendizado resultante de programas de formação, notadamente com o concurso da cooperação portuguesa, brasileira, cubana e angolana e igualmente, de muitos outros países com os quais os nossos jovens vêm multiplicando os seus contactos. Estamos à-vontade ao afirmar que a circunstância de São Tomé e Príncipe ter elegido o turismo como um dos sectores charneiras do seu desenvolvimento não o fará descurar a atenção devida às da Cultura, onde se insere, naturalmente, o seu artesanato enquanto forma de expressão que traduz as vivências do povo são-tomense e o modo como este observa o mundo à sua volta. O artesanato em São Tomé e Príncipe vem crescendo, embora de modo modesto, e tem sido com satisfação que vemos a nova geração a se dedicar a esse ramo da cultura. Esperamos que as prespectivas de intensificação da actividade turística o impulsionem ainda mais. Essas são razões de sobra para louvarmos a iniciativa já muito emblemática de Câmara de Vila do Conde em trazer à epifania uma Feira Nacional de Artesanato, dando a Países amigos a oportunidade de oferecerem a sua mostra desse domínio da arte, ao mesmo tempo que se fortalecem laços de amizade. Encorajamos, pois, a continuidade dessa mostra cultural que constitui hoje um cartaz incontornável, motivo de orgulho dos munícipes de Vila do Conde. Damião Vaz de Almeida Embaixador de S. Tomé e Príncipe em Portugal |